Emoções: como dar nome ao que você sente

Você já sentiu um aperto no peito e não soube dizer o que era? Isso acontece com todo mundo. A boa notícia é que dar nome ao que sentimos é uma habilidade simples, que se aprende aos poucos. Veja como começar, sem pressa e com carinho por você.

Mulher escrevendo em um diário na cozinha ensolarada

Por que dar nome às emoções ajuda

Quando você diz “estou cansado” ou “estou chateado”, o sentimento deixa de ser uma nuvem confusa. Ele ganha forma, e fica mais fácil saber o que fazer.

É como arrumar uma gaveta bagunçada: as coisas continuam ali, mas agora você sabe onde cada uma está.

Amigas rindo juntas no sofá da sala

O que dizem os estudos

Em 2007, pesquisadores da UCLA, nos Estados Unidos, usaram exames de imagem do cérebro. Quando as pessoas colocavam em palavras a emoção de um rosto numa foto, a região do cérebro chamada amígdala, ligada às reações emocionais, ficava menos ativa.

Esse foi um estudo de laboratório, com fotos. Ele aponta um caminho interessante, mas não promete o mesmo resultado para todos.

Homem respirando com calma perto da janela

Emoção, sentimento e humor

A emoção é a reação rápida a algo que acontece, como o susto ou a alegria. O sentimento é o jeito como você percebe essa reação por dentro.

Já o humor é um clima mais longo, que pode durar horas ou dias. Saber a diferença ajuda a entender melhor o que está acontecendo.

Mãe e filho desenhando juntos à mesa

Vá além do “bom” e do “ruim”

Dizer só “estou mal” deixa muita coisa de fora. Pode ser frustração, saudade, medo de errar ou simples cansaço.

A pesquisadora Lisa Feldman Barrett chama de granularidade emocional a capacidade de separar as emoções com mais precisão. Estudos ligam isso a lidar melhor com elas, mas o tema ainda é debatido.

Duas amigas conversando em um café

Três perguntas simples para começar

Pare por um instante e pergunte: “O que estou sentindo agora?”. Depois: “Onde sinto isso no corpo?”. E por fim: “O que aconteceu pouco antes?”.

Não existe resposta certa. O objetivo é só olhar para dentro com gentileza, sem se cobrar.

Jovem caminhando sorrindo em um parque

Uma lista de palavras ajuda

Às vezes falta vocabulário. A roda das emoções, criada pelo psicólogo Robert Plutchik, mostra oito emoções básicas: alegria, confiança, medo, surpresa, tristeza, aversão, raiva e expectativa.

Use essa roda como um mapa. Se “raiva” não encaixa, talvez seja “irritação” ou “decepção”. Procure a palavra que mais se parece com você.

Casal abraçado na sala de casa

Escrever por alguns minutos

Pegue um caderno e escreva, sem se preocupar com a forma, o que você sentiu hoje. Pode ser em poucas linhas.

O psicólogo James Pennebaker estuda há décadas a escrita sobre sentimentos. Os efeitos variam de pessoa para pessoa, mas muita gente se sente mais leve depois.

Mãos segurando uma caneca ao lado de um caderno

Respire antes de reagir

Quando uma emoção forte chegar, faça uma pausa curta e respire fundo algumas vezes. Isso dá tempo de escolher a resposta.

Se quiser aprofundar, veja o capítulo sobre respiração, pausas e atenção plena.

Família rindo à mesa do jantar

Conversar também faz bem

Dizer em voz alta “estou chateado porque…” ajuda os outros a entender você e evita muitos mal-entendidos.

Escolha uma pessoa de confiança e um momento calmo. Ouvir e ser ouvido fortalece os laços e alivia o peso.

Um passo de cada vez

Dar nome ao que sentimos é um treino diário, e cada tentativa já é uma vitória. Se quiser ir mais longe, conheça o capítulo Entender as emoções dos nossos ebooks. E lembre-se: se algum sentimento pesar demais ou durar muito tempo, converse com um psicólogo ou com um médico.

Gostou? Continue aprendendo no seu ritmo.
Fontes: Lieberman, M. D. et al. (2007), “Putting feelings into words: affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli”, Psychological Science; Barrett, L. F. et al. (2001), “Knowing what you’re feeling and knowing what to do about it”, Cognition & Emotion; Kashdan, T. B., Barrett, L. F. e McKnight, P. E. (2015), “Unpacking emotion differentiation”, Current Directions in Psychological Science; Plutchik, R. (1980), Emotion: a psychoevolutionary synthesis.