Aversão à perda: por que perder dói mais que ganhar

Você já sentiu mais incômodo ao perder algo pequeno do que alegria ao ganhar algo igual? Isso é comum e tem nome: aversão à perda. Entender esse jeito da mente ajuda a decidir com mais calma.
O que é aversão à perda

O que é aversão à perda

É a tendência de dar mais peso ao que podemos perder do que ao que podemos ganhar. A ideia faz parte da Teoria da Perspectiva, publicada em 1979 pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky.

Kahneman recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2002 por trabalhos que incluem essa teoria. Em estudos clássicos, uma perda pesa cerca do dobro de um ganho do mesmo tamanho, mas esse número muda de pessoa para pessoa.

Um exemplo simples

Um exemplo simples

Imagine achar R$ 50 na rua e, em outro dia, perder R$ 50. Para muita gente, o incômodo da perda é maior do que a alegria do achado, mesmo sendo o mesmo valor.

Isso não é fraqueza nem falta de maturidade. É um jeito comum de a mente funcionar, e quase todo mundo passa por isso.

O experimento da caneca

O experimento da caneca

Em 1990, os pesquisadores Kahneman, Knetsch e Thaler deram canecas a alguns participantes. Quem ficou com a caneca pedia, em média, cerca do dobro do que os outros aceitavam pagar por ela.

Ter o objeto por pouco tempo já bastou para ele parecer mais valioso. Esse efeito é chamado de efeito de posse e anda junto com a aversão à perda.

Onde aparece no dinheiro

Onde aparece no dinheiro

Um exemplo é segurar um investimento que caiu só para não aceitar a perda. Outro é comprar uma garantia estendida por medo de ter prejuízo, sem pensar se ela vale o preço.

Nesses casos, a vontade de evitar a dor da perda pode pesar mais do que uma conta calma. Por isso, vale olhar os números com tempo.

Onde aparece no dia a dia

Onde aparece no dia a dia

Guardar roupas que nunca usamos, manter uma assinatura que não serve mais ou ficar em uma situação ruim só por medo de perder o que já temos são sinais comuns.

Perceber esses sinais não exige culpa. Basta notar, com carinho, quando o medo de perder está falando mais alto que a razão.

Como as lojas usam esse sentimento

Como as lojas usam esse sentimento

Avisos como “últimas unidades” ou “a oferta acaba hoje” despertam o medo de perder a chance. Nem todo aviso é falso, mas vale conferir antes de decidir.

Uma boa pergunta é: eu já queria isso antes de ver o aviso? Se a resposta for não, talvez seja melhor esperar um dia.

Primeiro passo: perceber

Primeiro passo: perceber

Quando sentir aquele aperto de “não posso perder isso”, pare por um instante e dê nome ao que sente: “estou com medo de perder”.

Só de notar a emoção, a decisão costuma ficar mais leve. Respirar fundo algumas vezes também ajuda a ganhar tempo.

Olhe o resultado inteiro

Olhe o resultado inteiro

Em vez de olhar só para o que pode ser perdido, anote também o que pode ser ganho. Uma lista com dois lados ajuda a enxergar melhor.

Outra pergunta útil é: se eu ainda não tivesse isso, eu escolheria isso hoje? Ela ajuda a separar o valor real do apego.

Combine regras antes de decidir

Combine regras antes de decidir

Defina antes da decisão um limite de valor e um prazo para pensar. Decidir com a cabeça fria evita escolhas apressadas.

Dormir uma noite antes de uma compra grande é um costume simples e muito eficaz. Se ainda fizer sentido no dia seguinte, siga em frente.

Decidir com calma é possível

Sentir medo de perder é humano e faz parte de todos nós. Com atenção e algumas regras simples, dá para fazer escolhas mais tranquilas. Se quiser entender melhor esses atalhos da mente, veja o ebook Vieses e armadilhas e conheça também os outros ebooks do site. Em caso de dúvida sobre decisões de dinheiro ou sobre emoções, converse com um psicólogo ou com um educador financeiro.

Gostou? Continue aprendendo no seu ritmo.
Fontes: Kahneman, D. e Tversky, A. (1979), “Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk”, Econometrica. Kahneman, D., Knetsch, J. e Thaler, R. (1990), “Experimental Tests of the Endowment Effect and the Coase Theorem”, Journal of Political Economy. Este texto é informativo e não substitui acompanhamento profissional.