Efeito de enquadramento: como as palavras mudam a escolha

Duas frases podem dizer a mesma coisa e, mesmo assim, nos levar a escolhas diferentes. Isso tem nome: efeito de enquadramento. Entender como ele funciona ajuda a decidir com mais calma e sem pressa.
O que é o efeito de enquadramento

O que é o efeito de enquadramento

É a tendência de reagir de um jeito quando uma informação é apresentada de uma forma, e de outro jeito quando a mesma informação aparece com outras palavras.

Não quer dizer que somos ingênuos. Nosso cérebro usa atalhos para decidir rápido, e a forma da frase é um deles.

Um exemplo do dia a dia

Um exemplo do dia a dia

Pense em dois produtos no mercado. Um diz “90% sem gordura”. O outro diz “contém 10% de gordura”. Os números contam a mesma história, mas a primeira frase soa mais agradável.

Muita gente escolhe o primeiro sem fazer a conta. A dica é simples: quando algo chamar a atenção, traduza a frase para o outro lado e compare.

O que os estudos mostram

O que os estudos mostram

Os pesquisadores Amos Tversky e Daniel Kahneman descreveram esse efeito em um artigo de 1981, publicado na revista Science. Eles viram que a escolha mudava quando o mesmo problema era contado como ganho ou como perda.

Desde então, muitos estudos voltaram ao tema. Os resultados variam de pessoa para pessoa e de situação para situação, mas a ideia central segue sendo muito citada.

Ganho ou perda?

Ganho ou perda?

Em geral, uma frase que fala em “ganhar” ou “salvar” nos deixa mais cautelosos. Já uma frase que fala em “perder” costuma nos deixar mais dispostos a arriscar.

Saber disso não tira a graça das decisões. Só nos lembra de olhar para o resultado final, e não apenas para o jeito que ele foi contado.

Nas compras

Nas compras

Uma loja pode falar em “desconto para pagamento à vista” ou em “acréscimo para pagamento no cartão”. Na prática, a conta pode ser parecida, mas a sensação é bem diferente.

Antes de comprar, olhe o valor final em reais. Escrever o preço total em um papel ajuda a tirar o brilho da propaganda e a enxergar o que realmente será pago.

Nas conversas

Nas conversas

O efeito também aparece entre pessoas. Dizer “você errou de novo” e dizer “da próxima vez podemos tentar assim” falam do mesmo assunto, mas abrem portas muito diferentes.

Escolher boas palavras é um gesto de cuidado. Com elas, a conversa fica mais leve e a outra pessoa se sente respeitada e ouvida.

Nas notícias e nos números

Nas notícias e nos números

Ao ler uma notícia, uma pesquisa ou um anúncio, vale lembrar que o jeito de apresentar os números pode destacar um lado e deixar o outro menos visível.

Quando puder, procure o número completo e a fonte. Fontes confiáveis costumam mostrar o quadro inteiro, e isso ajuda a formar uma opinião tranquila.

Três perguntas para se proteger

Três perguntas para se proteger

Diante de uma escolha, experimente perguntar: “Como esta frase soaria ao contrário?”, “Qual é o resultado final em números?” e “Eu decidiria o mesmo se ninguém estivesse me apressando?”.

Essas perguntas levam poucos segundos. Com o tempo, viram um hábito gostoso, que traz mais segurança nas escolhas do dia a dia.

Um exercício de cinco minutos

Um exercício de cinco minutos

Escolha um anúncio ou uma frase que você viu hoje. Reescreva com outras palavras, trocando ganho por perda, ou o contrário, e observe o que muda no seu sentimento.

Você vai perceber que as palavras têm força. E quem percebe isso ganha liberdade para escolher com mais calma e com mais confiança.

Um olhar que se treina

O efeito de enquadramento não é um defeito. É um jeito natural do cérebro de lidar com muita informação. Quando você o conhece, passa a escolher com mais calma. Para decisões importantes, como as de dinheiro ou de saúde, vale conversar com um profissional da área, como um educador financeiro ou um psicólogo. Se quiser ir mais fundo, conheça o ebook sobre vieses e armadilhas na hora de decidir e os outros ebooks do site.
Gostou? Continue aprendendo no seu ritmo.
Fontes: Tversky, A. e Kahneman, D. (1981), “The Framing of Decisions and the Psychology of Choice”, Science, v. 211; Investalk BB, “Você vê o copo meio cheio ou meio vazio?”; Simply Psychology, “Framing Effect”. Este texto é informativo e não substitui orientação profissional.